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Francisco Basso Dias (de Porto Alegre)*

 

LULA CADA VEZ MAIS INTACTO

Estava lendo o Jornal Folha de São Paulo neste fim de semana enferruscado, sem muito sol, um dia para se ficar em casa, o artigo escrito pela colunista Eliane Cantanhede. Ela comenta a incrível popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo depois de seu governo ter passado por tantas crises. Inacreditável, diz a colunista, cai avião, sobre avião; vem crise vai crise; tem vaia, não tem vaia, e algo continua imutável: a popularidade de Lula.
Apesar de tudo que milhões sentem ou vêem todos os dias pelas TVs, Lula mantém intactos 48% de ótimo e bom no Datafolha. Antes, teflon. Agora, o que dizer? Um muro? Uma barra de aço? Lula parece imune à incompetência e à inação do seu governo na crise aérea.

A explicação vem tanto da teoria de especialistas quanto da prática de pessoas simples.

Sabe o que as pessoas simples pensam? Exatamente como a simples manicure do interior do Piauí: "Lá, se você falar mal do Lula, apanha". Por quê? A vida do povo melhorou? "Melhorou nada. Está tudo igual. Mas todo mundo quer o Bolsa Família e acha que o Lula é igual a eles".

Além da paixão dos que o sentem como "um igual a nós", Lula agrada aos muito ricos e dividiu a academia, os jornalistas e a internet, jogando na polarização: quem está com ele é do bem, de esquerda, a favor do povo; quem está contra o governo é da elite perversa e corrupta. Cômico, não fosse perturbador".

E é bem isso aí mesmo. Antes da eleição passada entre Lula e Alkmin, ainda na campanha para segundo turno, dizia que seria difícil vencer Lula, face ao fenômeno Bolsa Família. Recebi muitas contestações. Mas está provado, a barriga fala mais alto que os grandes projetos nacionais.

O nordestino pobre não anda de avião, usa o pau de arara; o gaúcho pobre se encosta no MST; o pobre do Leste prefere catar papel e outros objetos recicláveis e pobre do Oeste viver do que lhe dá a natureza. Ora se esse pessoal vai estar preocupado com apagão aéreo ou energético!

Experimente perguntar para essa gente humilde o que é Imposto de Renda, biodiesel, reforma tributária? Poucos, muito poucos saberão responder. Mas indague o que é Bolsa Família? Todos têm a resposta na ponta língua.

Entre as explicações para a não-alteração da popularidade do presidente no período estão o fato de que a grande maioria dos brasileiros é pobre (59,5% têm renda familiar mensal de só até três salários mínimos por mês, ou R$ 1.050) e a constatação de que apenas uma minoria viaja de avião (8%).

Além disso, a situação econômica do país permanece boa, com estimativa de crescimento em torno de 4,5% em 2007. O programa Bolsa Família, que atende cerca de 11,1 milhões de famílias, também ajuda a entender a manutenção da alta popularidade de Lula.

Entre os 8% que costumam andar de avião, o percentual dos que consideram o presidente ótimo ou bom é de 29%, ou seja, 19 pontos inferior à media nacional. Os que definem o governo como ruim ou péssimo chegam a 30%, o dobro da média nacional (15%).

Entre os mais ricos, com renda familiar mensal acima de dez mínimos (R$ 3.500), a avaliação do presidente Lula despencou sete pontos entre março e agora.

Mas entre os que ganham só até cinco mínimos (R$ 1.750), ela oscilou positivamente dois pontos - dentro da margem de erro do levantamento. "O maior acidente da história da aviação brasileira e a demora de mais de dez meses do governo em buscar soluções para a crise aérea não afetaram em nada a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pesquisa nacional do Datafolha realizada nos dias 1 e 2 de agosto, revela percentual é idêntico ao registrado em março e praticamente igual ao que Lula tinha no início de outubro de 2006 (49%). O acidente da Gol, que matou 154 pessoas e que evidenciou o caos no sistema aéreo brasileiro, ocorreu em 29 de setembro passado.

Entre março e agora, a taxa de ruim/péssimo do governo apenas oscilou, de 14% para 15%. Em outubro passado era maior: 17%.

Entre as explicações para a não-alteração da popularidade do presidente no período estão o fato de que a grande maioria dos brasileiros é pobre (59,5% têm renda familiar mensal de só até três salários mínimos por mês, ou R$ 1.050) e a constatação de que apenas uma minoria viaja de avião (8%).

Além disso, a situação econômica do país permanece boa, com estimativa de crescimento em torno de 4,5% em 2007. O programa Bolsa Família, que atende cerca de 11,1 milhões de famílias, também ajuda a entender a manutenção da alta popularidade de Lula.

Entre os 8% que costumam andar de avião, o percentual dos que consideram o presidente ótimo ou bom é de 29%, ou seja, 19 pontos inferior à media nacional. Os que definem o governo como ruim ou péssimo chegam a 30%, o dobro da média nacional (15%).

Entre os mais ricos, com renda familiar mensal acima de dez mínimos (R$ 3.500), a avaliação do presidente Lula despencou sete pontos entre março e agora.

Mas entre os que ganham só até cinco mínimos (R$ 1.750), ela oscilou positivamente dois pontos - dentro da margem de erro do levantamento.

Como a maioria dos brasileiros é pobre, a queda da avaliação entre os ricos (a minoria), não chega a afetar os resultados gerais. No Brasil, segundo a pesquisa, apenas 7,5% da população tem renda familiar mensal maior do que R$ 3.500.

É como diz o ditado: cada povo tem o governo que merece.

(07.08.2007)

__________________________
*Jornalista
chico.jor@hotmail.com

 

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