EDUCAÇÃO
PARA O TRÂNSITO
Terminou
na segunda-feira a campanha nacional Semana do Trânsito.
Nessa campanha foram envolvidos órgãos do
governo, ONGs e outras instituições particulares
com o objetivo de, mais uma vez, conscientizar os motoristas
que educação para o trânsito se aprende
em casa como, aliás, muita coisa se instrui e se
absorve na família. A família é a base
de tudo.
Eu
estava pensando cá com os meus botões: a educação
é básica pra tudo. O sujeito mal educacado
só pratica asneira. E quem não é educado
não pode ser um bom motorista, como, também,
não pode desempenhar funções, principalmente,
que lidam com o público.
O
nosso trânsito, seja no Norte, no Sul, em qualquer
lugar, precisa passar por um período de reciclagem
e educação. Não só o condutor,
mas o fiscal também, o guarda que fica na esquina
ou está na rua. E tem que parar com essa mania da
prepotrência, de ambas as partes.
Nos
quase 50 anos como motorista detentor da carteira "B"
até hoje não sofri nenhuma multa, nunca fui
advertido e jamais envolvi-me em acidente. Graças
a Deus.
Considero
uma marca significativa. E já andei muito por esse
Brasil a fora. Enfrentei o trânsito desconhecido de
São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Brasília
e tantas outras cidades.
É um marco de destaque que me deixa muito orgulhoso.
E a medida que o tempo passa, cada vez mais, quem até
então nunca foi multado, sente aumentada a responsabilidade
de dar o exemplo e não perder a sensação
de nunca ter sido autuado. Você pode achar estrambótica
esta idéia, mas é assim mesmo. Fora da educação
não há maneira de melhorar o trânsito
seja na cidade ou na estrada.
Quando
saí do Rio Grande para Brasília, percorri
2.212 quilômetros marcados no odômetro do carro.
Iniciei por Porto Alegre através da BR-101 até
chegar a Cuiritiba. Saí da capital paranaense por
Ponta Grossa e alcancei São Paulo (Ourinhos).
Em
outro lance passei por Minas (Itumbiara, Frutal) e atingi
Goiânia, posteriormente Brasília. Nessa viagem
que durou cerca de três dias (não andava á
noite) observei várias coisas: a imprudência
de motoristas em não obeceder a sinalização
nem orizontal, muito menos vertical e principalmente a falta
de solidariedade. Não falo em abuso da velocidade
porque do Praná até Goiânia era uma
buraqueira infernal. N ão dava para correr.
Várias
vezes fiquei atrás de caminhões andando a
10 ou 20 kmh em longos trechos, quando o que estava a frente
com apenas um sinal ou saindo um pouco para o lado, poderia
dar passagem. E quando formava-se uma fila de dois ou três
veículos pesados sem guardarem a distância
regulamentar? Era um inferno.
Sou
de opinião que nas estradas e nas cidades, onde há
placas avisando a existência de radar que sejam retiradas.
Essas placas deseducam. Elas não colaboram em nada
na educação do condutor.
A
alegação de que paradal só serve para
multar e o Estado faturar, não é bem assim.
Ao contrário, o objetivo é flagrar o motorista
irresponsável quando não respeita o que as
as placas sinalizadoras exigem em determinado trecho da
rodovia em termos de velocidade.
Ora,
se numa e outra rodovia a velocidade é 60 Kmh, pois
que o motrorista não ultrapasse. Se assim foi determinado
é porque naquele local não se pode ter pressa,
ou tecnicamente a velocidade tem que ser aquela, sob pena
de sofrer ou causar um acidente.
Eu
vejo todo o dia aqui em Brasília, por exemplo, muitos
motoristas mal formados e mal educados. Eles ultrapassam
fazendo o perigoso zigue-zague. Aquele que você serpenteia
entre um veículo e outro, passam em sinal fechado,
enfiam-se na sua frente num espaço menor que os 20
metros estabelecidos pelo código, correm demais.
A
gente leva cada susto! E um vício do brasiliense:
esquece de usar o pisca. Você nunca sabe se o veículo
á sua frente vai para a esquerda ou para a direita.
E tem a mania de andar grudado na traseira. Qualquer freada
é batida certa.
Um
modelo de como se é desatento foi o acidente provocado
por um caminhão ocorrido na Serra gaúcha,
em Farroupilha. A notícia diz que um Corsa capotou
numa curva e, enquanto era feito o resgate, um caminhão,
cujo motorista não viu os cônes de sinalização,
colidiu em três veículos e depois no guincho.
Inacreditável! Felizmente não hove vítimas.
Por
aí se vê a falta de atenção do
condutor e a imprudência. Certamente o moltorista
do automóvel Corsa dirigia em velocidade acima do
normal para aquele local.
As
estatísticas apontam a ocorrência de 219 acidentes
por dia no Brasil, é como se um avião jumbo
caísse todos os dias. Morrem no Brasil por ano de
acidente de trânsito 80 mil pessoas. É demais.
E
para aliviar o bolso dos que desobedecem ás leis
do trânsito foi aprovada recentemente uma lei que
degrada o valor das multas, isto é, o infrator passará
a pagar menos. E dizem que agindo assim o motortista será
conscientizado a ser mais obediente, mais responsável.
No
Rio Grande do Sul, só em rodovias estaduais, morreram
até agosto de 2006, 47 jovens entre 19 e 25 anos.
Se contarmos as vítimas entre 2001 e 2004, nas BRs
e RSs, foram 911 óbitos na mesma faixa etária.
Precisamos urgentemente fazer alguma coisa para diminuir
o número de vítimas jovens no trânsito.
(24.09.2006)