CARTA
A RIGOTTO
Nesta
quinta-feira (21.09) enviei ao governador Germano Rigotto
a carta abaixo:
Excelentíssimo
Senhor Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Germano
Rigotto:
Ouça
a voz da consciência, só da vossa consciência.
Não se deixe influenciar por pressões da mídia,
de grupos e muito menos dos cantineiros ou produtores de
vinho. Como se aproxima o dia 25, prazo fatal para que Vossa
Excelência decida sobre se sanciona ou não
Projeto de Lei que altera a classificação
do vinho de bebida alcoólica para alimento, lembraria
o que dizem demonstrando lucidez e coerência ONGs,
Associações de Alcoólatras Anônimos,
Médicos, Ministério Público e outras
instituições sérias.
Ainda
que as bebidas fermentadas tenham menos álcool que
as destiladas (o que talvez justificaria tributação
menor das primeiras), elas continuam a ser alcoólicas,
pelo fato inegável de que contêm álcool
em quantidade significativa. Caso o raciocínio de
que o vinho é alimento verdadeiro, a legislação
também deveria permitir a compra e o consumo livre
por menores de idade, já que é um mero alimento...E
porque não de cerveja também, uma vez que
o teor alcoólico é menor do que o do vinho?
Não
é justo, portanto, que se equipare o vinho a alimento,
inclusive para fins tributários, prejudicando a arrecadação
do Estado em prol do interesse dos vitivinicultores e de
uma minoria da população que opta por consumir
vinho. Se os vitivinicultores querem ganhar mercado e ter
lucro, que trabalhem de forma competente e forneçam
produtos de qualidade, ao em vez de, mais uma vez, tentarem
mamar nas tetas do Estado, à custa dos contribuintes.
Gosto
de vinho, tenho o maior apreço pelo trabalho dos
vitivinicultores brasileiros, mas "não é
por isto que vou me tornar um enochato ou enofanátrico
e muito menos um enoidiota", como me disse em solidariedade
André Cruz de Aguiar, que também pensa como
eu.
Se
Vossa Excelência – senhor Governador - deseja dar
incentivo aos vitivinicultores faça-o ao suco de
uva.
Este
sim, como afirma a Doutora em Nutrição Humana,
Jucelem Salgado (Correio do Povo) previne contra doenças
cardiovasculares. E salienta mais a especialista: "alimento
funcional é todo aquele que, além de nutrir,
possui componentes ativos, podendo reduzir ou prevenir o
risco de doenças. No caso do vinho, seu ativo impede
a oxidação do LDL, conhecido como colesterol
ruim".
Tudo
o que se disse do vinho, que é uma bebida "imortal
e tem mais de 9000 anos; que faz bem ao espírito,
como afirmou alguém; que Hipócrates usava
o vinho como remédio; que, se bebido moderadamente
é saudável; que na Espanha o vinho é
considerado alimento"etc...a gente sabe.
O
que se questiona – Governador – não é esta
semântica toda mas, sim, a forma como um parlamentar,
acompanhado da maioria de seus pares, valendo-se do argumento
de que a bebida é alimento quer contemplar quem produz
vinho com uma alíquota menor no ICMS. Só isto.
Não estamos discutindo se o vinho é ou não
benéfico à saúde do cidadão.
De
outra parte, gostaria de enfatizar á Vossa Excelência
que, apesar das críticas, algumas demasiadas sobre
sua pessoa, como por exemplo chamando-o de "frouxo",
"falso puritano", deixa pra lá. A maioria
está do seu lado. Vinho não é alimento.
Não...é...alimento... Se Hipócrates
usava vinho como remédio, pois que se continue tomando
vinho como indicativo de remédio. E remédio
não é alimento...é droga.
Por
fim, senhor Governador, desejo salientar que não
tenho nenhuma vinculação com associações
de produtores de vinho, importadores, cantineiros ou represente
outro interesse, se não, o de um simples cidadão,
que tem o mesmo direito de opinar, ainda que seu pensamento
contrarie conveniências, vantagens e lucros dos que
pensam contrariamente.
Idéias
não são metais que se fundem – já dizia
o grande político gaúcho Silveira Martins.
(23.09.2006)