(Diário)
MOVIMENTO
AUTISTA
Cresce
no Brasil o Movimento Autista com o propósito de
chamar a atenção das autoridades e oferecer
apoio e solidariedade ás familias carentes.
O
autismo é visto ainda com muita fantasia.
Chegaram
a dizer que o gênio da pintura e da escultura renascentista
Miguél Ângelo era autista. A especulação
sobre se ele sofria da síndrome de Asperger era
só especulação, pois nunca foi diagnosticada
em vida. Todavia os médicos chegaram a conclusão
que o genial pintor sofria mesmo de autismo após
estudar seu comportamento através da estrita rotina
de trabalho, poucos amigos, natureza obsessiva, ao comparar
com atitudes de adultos que haviam sido diagnosticados
com a síndrome.
O
mesmo diagnóstico póstumo foi feito em outras
figuras históricas, como Charles Darwin, Isaac
Newton e Andy Warhol.
O
professor Michael Fitzgerald, do Trinity College em Dublín,
um dos experts da teoria sobre Miguel Ângelo, disse
que a síndrome faz a gente mais criativa.
Foi
descrito pela primeira vez em 1943, pelo médico
austríaco Leo Kanner, trabalhando noJohns Hopkins
Hospital, e o também austríaco Hans Asperger
que descreveu, em sua tese de doutorado, a psicopatia
autista da infância. Embora ambos fossem austríacos,
devido à II Guerra Mundial, não se conheciam.
A
palavra "autismo" foi cunhada por Eugene Bleuler,
em 1911, para descrever um sintoma da esquizofrenia, que
definiu como sendo uma "fuga da realidade".
Kanner e Asperger usaram a palavra para dar nome aos sintomas
que observavam em seus pacientes.
O
trabalho de Asperger só veio a se tornar conhecido
nos anos 70 quando a médica inglesa Lorna Wing
traduziu seu trabalho para o inglês. Foi a partir
daí que um tipo de autismo de alto desempenho passou
a ser denominado síndrome de Asperger.
Nos
anos 1950 e 1960, o psicólogo Bruno Bettelheim
afirmou que a causa do autismo seria a indiferença
da mãe, que denominou de "mãe-geladeira'".
Nos anos 1970 essa teoria foi posta por terra e passou-se
a pesquisar as causas do autismo. Hoje, acredita-se que
o autismo esteja ligado a causas genéticas associadas
a causas ambientais. Dentre possíveis causas ambientais,
a contaminação por mercúrio tem sido
apontada por militantes da causa do autismo como forte
candidata, assim como problemas na gestação.
Características
do autismo
Dificuldade
na interação social:
Dificuldade acentuada no uso de comportamentos não-verbais
(contacto visual, expressão facial, gestos);
Dificuldade em fazer amigos;
Apresenta dificuldade em compartilhar suas emoções;
Dificuldade em demonstrar reciprocidade social ou emocional.
Prejuízos na comunicação:
Atraso ou falta de linguagem verbal;
Para aqueles onde a fala é presente, verifica-se
uma grande dificuldade em iniciar ou manter uma conversa;
Uso estereotipado e repetitivo da linguagem;
Falta ou dificuldade em brincadeiras de "faz de conta".
Padrões restritos e repetitivos de comportamento,
interesses e atividades:
Preocupação insistente com um ou mais padrões
estereotipados;
assumir de forma inflexível rotinas ou rituais
(ter "manias" ou focalizar-se em um único
assunto de interesse);
maneirismos motores estereotipados (agitar ou torcer as
mãos, por exemplo);
preocupação insistente com partes de objetos,
em vez do todo (fixação na roda de um carrinho,
por exemplo).
A notícia de que o filho, tão esperado,
é autista faz parte da vida de muitos pais. Para
cada 10 mil nascimentos, aproximadamente 15 crianças
nascem autistas. Este é um problema que atinge,
principalmente, bebês do sexo masculino, numa proporção
de quatro para cada criança do sexo feminino. Da
necessidade de saber mais sobre o autismo com a troca
de experiências e informações, nasceu,
o Movimento Orgulho Autista Brasil, cujo Diretor Presidente
é Fernando Cotta, que tive o prazer de conversar
aqui em Brasília, e com Nilton Salvador, coordenador
do MOAB em Curitiba, dois grandes humanistas que dedicam
parte de suas vidas ao Autismo brasileiro.
Dia
3 de dezembro próximo, Dia Internacional do Deficiente
criado pela ONU, vai ser marcado por intensa campanha
de divulgação para dismistificar essa concepção,
muitas vezes distorcida e preconceituosa, que pela falta
de informação atrapalha a inclusão
do Autista na sociedade.
A
deficiência existe e é incurável,
mas a criança autista não pode ser esquecida
pela coletividade.