.Concluiu
o ensino secundário aos 21 anos, mesma idade com que
casa com Annita Baldo, filha de imigrantes Italianos da província
de Pádua, com quem teve somente uma filha, Anna Maria
Niemeyer. Niemeyer tem cinco netos, treze bisnetos e quatro
trinetos.
Após o casamento
sente o peso da responsabilidade que havia assumido para si
e decide trabalhar e continuar seus estudos. Começa a
trabalhar na oficina tipográfica do pai e entra para
a Escola Nacional de Belas Artes, de onde sai formado como engenheiro
arquiteto em 1934. Na época passava por dificuldades
financeiras, mas mesmo assim decidiu trabalhar sem remuneração
no escritório de Lucio Costa e Carlos Leão. Ele
se sentia insatisfeito com a arquitetura que via na rua e acreditava
poder encontrar respostas a suas dúvidas de estudante
com eles.
Em 1945, já
um arquiteto com algum nome, filia-se ao PCB. Sempre foi um
forte defensor de sua posição como stalinista.
Durante alguns anos da ditadura militar do Brasil auto-exilou-se
na França. Um ministro da Aeronáutica da época
diria que "lugar de arquiteto comunista é em Moscou".
Visitou a União Soviética, teve encontros com
diversos líderes socialistas e foi amigo pessoal de alguns
deles. Fidel Castro teria dito a respeito dele: "Niemeyer
e eu somos os últimos comunistas deste planeta".
Em 1937, o escritório
de Lucio Costa e Carlos Leão onde trabalhava é
chamado pelo ministro da Educação e Saúde,
Gustavo Capanema (que anulara o concurso público ganho
por Archimedes Memoria), para projetar o novo edifício
do Ministério da Educação e Saúde
no Rio de Janeiro. Este projeto estava inserido no contexto
político do Estado Novo, quando Getúlio Vargas,
presidente do Brasil, usava a arquitetura e o urbanismo como
ferramentas para ilustrar os novos rumos da nação
em uma fase intermediária, tentando se transformar de
potência agrícola exportadora de café em
um país industrializado.
Lucio dividiu a autoria
do projeto com outros arquitetos: Affonso Eduardo Reidy, Ernani
Vasconcellos, Jorge Moreira, Carlos Leão e também
um dos grandes expoentes mundiais do Movimento Moderno, o arquiteto
franco-suíço Le Corbusier. O projeto segue os
5-pontos corbusianos, já realizados no Pavilhão
Suiço, um prédio de apartamentos em Paris projetado
por Le Corbusier em 1930. O edifício, terminado em 1943,
eleva-se da rua apoiando-se em pilotis: sistema de pilares de
concreto que mantem o prédio "suspenso", permitindo
o trânsito livre de pedestres por debaixo do mesmo (um
espaço público de passagem). O prédio uniu
os maiores nomes do modernismo brasileiro, com azulejos de Portinari,
esculturas de Alfredo Ceschiatti e jardins de Roberto Burle
Marx.
Em 1939, Niemeyer
viaja com Lucio Costa para projetar o Pavilhão Brasileiro
na Feira Mundial de Nova Iorque. Associam-se ao escritório
de Paul Lester Wiener, responsável pelo detalhamento
dos interiores e stands de exposição. No mesmo
ano apresenta o Edifício Gustavo Capanema. Em uma época
onde a Europa e os Estados Unidos estavam concentrando suas
potências industriais na Segunda Guerra Mundial, o Brasil
estava investindo em arquitetura, o que lhe colocou na vanguarda
da Arquitetura Modernista internacional, onde ainda permaneceu
por várias décadas, graças em boa parte
ao talento de Oscar Niemeyer.
Em 1940, Niemeyer
conheceu Juscelino Kubitschek. Este era na época o prefeito
de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, e tinha interesse
em desenvolver uma área ao norte da cidade, chamada Pampulha.
Chamou Niemeyer para projetar uma série de prédios
que seriam conhecidos como conjunto da Pampulha. Este seria
o primeiro trabalho individual de Niemeyer, com 33 anos de idade.
Prontos em 1943,
os prédios renderam muitas críticas e admiração.
Conseguiu sua primeira projeção internacional
e muitas polêmicas locais. A Igreja católica negou-se
a benzer a Igreja de São Francisco de Assis (Belo Horizonte),
em parte por sua forma não ortodoxa, em parte pelo mural
moderno pintado por Portinari. O mural possuía traços
abstratos e reconhecia-se um cachorro, representando um lobo
junto à São Francisco de Assis.
No conjunto da Pampulha
Niemeyer começa um estilo que irá marcar o seu
trabalho quase todo: utiliza-se das propriedades estruturais
do concreto armado para dar formas sinuosas aos prédios.
Quando Niemeyer desenha um prédio ele o faz com o mínimo
de traços possíveis. Ele porém nega que
seus prédios tenham uma estética que ofusca o
utilitarismo: sempre escreveu enormes justificativas de projetos,
onde descreve a função de cada curva do edifício.
Ele costuma dizer que se não pode justificar uma idéia
em um parágrafo, desiste dela.
No início
dos anos 40, Niemeyer foi contratado pelo industrial e intelectual
Francisco Inácio Peixoto para elaborar dois projetos
em Cataguases: uma casa e um colégio. O projeto arquitetônico
da residência de Chico Peixoto foi entregue em 1940. Em
1944, Niemeyer concluiu o projeto do Colégio Cataguases,
cujas obras terminariam em 1947. Os projetos contaram com jardins
de Burle Marx. Como ornamentos para o prédio do colégio,
o arquiteto sugeriu a instação de um painel em
mosaicos de Paulo Werneck e de um mural de Cândido Portinari.
Em 1947, seu reconhecimento
mundial é atestado: Niemeyer viaja para os Estados Unidos
para compor uma equipe de arquitetos renomados que farão
o projeto da sede das Nações Unidas em Nova Iorque.
No ano anterior havia recebido um convite para lecionar na Universidade
de Yale, porém teve seu visto negado devido à
sua posição política. Em 1950, o primeiro
livro sobre seu trabalho (The Work of Oscar Niemeyer) é
publicado nos EUA, por Stamo Papadaki.
No Brasil, projeta
em São Paulo o Conjunto do Ibirapuera (um parque com
pavilhões de exposições em homenagem ao
aniversário de 400 anos da cidade) e o COPAN, em 1951
e no ano seguinte constrói sua própria casa no
Rio de Janeiro. Esta, chamada a Casa das Canoas, nome da estrada
em que se encontra, tornar-se-á muitos anos mais tarde
parte da Fundação Oscar Niemeyer.
Juscelino Kubitschek,
eleito presidente do Brasil em 1956, volta a entrar em contato
com Niemeyer. Desta vez tem um projeto político mais
ambicioso, e o chama para a direção da Novacap,
empresa urbanizadora da nova capital, um projeto para mover
a capital nacional para uma região despovoada do centro
do país..
Niemeyer abre um
concurso para o projeto urbanístico de Brasília,
a nova capital e o vencedor é o projeto de seu antigo
patrão e grande amigo, Lucio Costa. Niemeyer ficaria
com os projetos dos prédios e Lucio Costa com o plano
da cidade.
Em poucos meses,
Niemeyer projeta dezenas de edifícios residenciais, comerciais
e administrativos. Entre eles a residência do Presidente
(Palácio da Alvorada), o Congresso Nacional (Câmara
dos Deputados e Senado Federal), a Catedral de Brasília,
os prédios dos ministérios, a sede do governo
(Palácio do Planalto) além de prédios residencias
e comerciais. A própria forma da cidade, em forma de
avião, dá elementos que se repetem em todos os
prédios, dando-lhes uma unidade formal. A catedral é
especialmente bela, com diversos simbolismos modernos. A sua
entrada se dá pelo subsolo, um corredor mal-iluminado
que contrasta com um saguão com iluminação
natural forte que deixa transparecer o céu único
de Brasília.
Por trás da
construção de Brasília, uma campanha monumental
para construir uma cidade inteira a partir do nada, no centro
árido do país, estava a intenção
de Kubitschek de alavancar a industria do país, integrar
suas áreas distantes, povoar regiões inóspitas
e levar o progresso para onde havia somente vaqueiros (diversos
historiadores comparam a construção de Brasília
com a marcha do oeste norte-americana). Niemeyer e Lucio Costa
aproveitaram para pôr em prática os conceitos modernistas
de cidade: ruas sem trânsito (Niemeyer diria que é
um desrespeito ao ser humano que ele tome mais de 20 minutos
no transporte de uma região a outra), prédios
erguidos por pilotis (apoiados em colunas e permitindo o espaço
em baixo livre), integração com a natureza. Uma
ideologia socialista também se ensaiou: em Brasília
todos os apartamentos deveriam ser do governo que os cedia para
seus funcionários, não havia regiões mais
nobres, ministros e operários dividiriam o mesmo prédio.
Brasília deveria ser uma cidade contida em si, não
se expandir além dos projetos originais, previa-se que
assim que ficasse cheia, outras em moldes parecidos seriam construídas
em diversas regiões.
Brasília com
a catedral em destaque
Brasília é
projetada, construída e inaugurada no intervalo de tempo
de um mandato presidencial, 4 anos. Após sua construção,
Niemeyer é nomeado coordenador da Faculdade de Arquitetura
da Universidade de Brasília. Em 1963 é nomeado
membro honorário do Instituto Americano de Arquitetos
dos Estados Unidos, no mesmo ano em que ganha um prêmio
soviético de paz, o Prêmio Lênin da Paz.
Em 1964 viaja para
Israel a trabalho e volta para um Brasil completamente diferente.
Em março o presidente João Goulart, (Jango), que
assumira após o presidente eleito Jânio Quadros
renunciar, havia sido deposto por um golpe dos militares. Os
militares assumem o controle do país que se torna uma
ditadura.
O projeto urbano
de Lucio Costa utiliza alguns preceitos do urbanismo modernista
principalmente a hierarquía viária preconizada
por Le Corbusier em Sur les Quatre Routes e a disposição
dos prédios em blocos afastados, dispostos sobre grandes
áreas verdes, de seus projetos da década de 20.
O plano também é bastante semelhante aos estudos
de Hilberseimer. A escala monumental e alguns elementos compositivos
utilizados no projeto de Le Corbusier para Chandigarh também
podem ser identificados na capital brasileira.
A construção
de Brasília suscitou grandes discussões internacionais
desde sua construção. Mesmo antes do projeto,
os preceitos do urbanismo modernista já estavam sendo
criticados por sua grande dependencia no automóvel (em
detrimento do pedestre), sua monumentalidade, e sua falta de
uma escala próxima do homem. Hoje, apenas uma pequena
parte da população total vive na área planejada.
O crescimento da cidade não foi previsto e a instalação
da nova população se deu de forma espontânea
nas cidades satélítes.
Foi inaugurado no
dia 15 de dezembro de 2006 o Complexo Cultural da República
João Herculino, o maior centro destinado à cultura
no Brasil. O Complexo, de 91,8 mil metros quadrados teve um
gasto de R$ 110 milhões do Governo do Distrito Federal,
conta com o Museu Nacional Honestino Guimarães e a Biblioteca
Nacional Leonel de Moura Brizola
O comunismo de Niemeyer
lhe custará caro nos anos de uma ditadura militar do
Brasil, Módulo tem a sede destruída, seus projetos
começam a ser misteriosamente recusados e clientes a
desaparecer.
Em 1965, duzentos
professores, entre eles Niemeyer, pedem demissão da Universidade
de Brasília, em protesto contra a política universitária.
No mesmo ano viaja para França, para uma exposição
sobre sua obra no Museu do Louvre.
No ano seguinte,
impedido de trabalhar no Brasil, muda-se para Paris. Começa
aí uma nova fase de sua vida e obra. Abre um escritório
nos Champs-Élysées, e tem clientes em diversos
países, em especial na Argélia, onde desenha a
Universidade de Constantine e, em 1970, a mesquita de Argel.
Na França, cria a sede do Partido Comunista Francês,
e na Itália a da Editora Mondadori.
Nos anos 80 se distende
uma abertura política lenta e gradual. É neste
contexto que Niemeyer volta ao seu país. Ele próprio
define esta época como o início da última
fase de sua vida. Nesta época Niemeyer fez o Memorial
JK (1980), o prédio-sede da Rede Manchete de Televisão
(1983), os CIEPs(centros integrados de educação
pública)e a Sambódromos do Rio de Janeiro (1984)
e de São Paulo (1991), o Panteão da Pátria
de Brasília (1985) e o Memorial da América Latina
(1987), em São Paulo, este último tem uma bela
escultura representando uma mão ferida como um Cristo,
de cuja chaga na palma sangram a América Latina. Em 1988,
foi criada a Fundação Oscar Niemeyer com o objetivo
de preservar o seu acervo.
Em 1996, já
com 89 anos, criou o que muitos consideram sua obra prima, o
Museu de Arte Contemporânea de Niterói, MAC. Um
museu em um lugar improvável, com uma forma bela e original,
uma escultura que se projeta sobre a pedra, dando uma linda
visão da Baía de Guanabara e do Rio de Janeiro.
As piores críticas que se fazem do museu é que
sua forma é tão bela que ofusca as obras de arte
dentro delas.
Em 2003, Niemeyer
foi escolhido para projetar um anexo provisório na Serpentine
Gallery -uma galeria londrina que constroi a cada ano um pavilhão
em seu jardim. Niemeyer permanece envolvido em diversos projetos,
entre esculturas e reformas ou readaptações de
antigas obras. As obras declaradas pelo patrimônio público
pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
ou Patrimônio da Humanidade pela Unesco (caso de Brasília),
só podem ser alteradas pelo próprio arquiteto.
Foi inaugurado no
dia 22 de Novembro de 2002 o complexo que abriga o Museu Oscar
Niemeyer, na cidade de Curitiba, Paraná. Niemeyer, em
novembro de 2006, fez algo inesperado: casou-se com sua secretária,
Vera Lúcia Cabreira, de 60 anos.
Em 15 de dezembro
de 2006, com quase 50 anos de atraso, foi inaugurado o Museu
Nacional Honestino Guimarães e a Biblioteca Nacional
Leonel de Moura Brizola, que formam, juntas, o maior centro
cultural do Brasil, denominado Complexo Cultural da República,
na Esplanada dos Ministérios em Brasilia. A inauguração
foi programada para coincidir com o aniversario 99 de Oscar
Niemeyer.
Também foi
convidado a elaborar o projeto arquitetônico do novo centro
administrativo do governo de Minas Gerais. Este centro localiza-se
entre a capital mineira e o aeroporto internacional Tancredo
Neves (Confins). Mais um projeto ousado que - dentre outras
edificações no local - prevê uma laje de
quase 150 metros apoiada em apenas dois pilares.
Em abril de 2007,
é inaugurado em Niterói o Teatro Popular Oscar
Niemeyer, que recebeu da prefeitura o nome do arquiteto, embora
se trate de pessoa viva. Como a Constituição do
Brasil e a lei federal nº. 6.474/77 proíbam que
se dê nome de pessoas ainda vivas a prédios ou
outros bens públicos, o jurista Eduardo Banks propôs
uma Ação Popular para anular a nomeação
do teatro, processando o Município de Niterói
e o próprio Oscar Niemeyer, como pessoa física
beneficiária da nomeação. O processo tem
o nº. 2007.002.015473-5 e pode ser consultado no sítio
do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O
valor dado à causa foi o mesmo do dos custos de construção
do teatro: R$ 14 milhões.
Fora do Brasil, em
2007, o arquitecto prepara-se para iniciar as obras do seu primeiro
projecto em Espanha: um centro cultural com o seu nome, em Avilés,
com inauguração prevista para antes de 2010. Este
projecto foi oferecido à Fundação Príncipe
das Astúrias como agradecimento pela condecoração
que Niemeyer recebeu, em 1989 (Prémio Príncipe
das Astúrias das Artes). Do projecto constará
um edifício dedicado a albergar o Museu Internacional
dos Prémios Príncipe das Astúrias, onde
se prestará tributo a todos os galardoados.
Tinha também
planificando um balneário para Potsdam, na Alemanha,
com inauguração marcada para 2007, cujas obras
foram canceladas antes do início da edificação
devido às suas dimensões faraónicas.
Em 2007, ano de seu
centenário, Oscar Niemeyer aceitou ser presidente de
honra do Centro de Educação popular e Pesquisas
Econômicas e Sociais CEPPES, centro de estudos fundado
por Luís Carlos Prestes.
Mais recentemente,
Niemeyer fora convidado para redesenhar o prédio do Detran,
de sua autoria, em Sao Paulo, que abrigara o novo MAC da USP.
Niemeyer completará
agora em neste sábado o centésimo aniversário
e se mantém perfeitamente lúcido e ativo.
Niemeyer já
se dispôs a projetar um estádio de futebol no Brasil
para a Copa do Mundo em 2014, que será realizada no Brasil.
Parabéns ao
nosso maior arquiteto e que ele possa estar entre nós
ainda por muitos anos.
(15.12.2007)